quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Faça da sua vida uma OBRA DE ARTE!

Oi, Pablo
Adorei que tenha sido meu amigo oculto e o presente que vc me deu. Já li o livro todo e procurei tirar dele o melhor proveito.
A Viviane tem a mania de dizer que devemos fazer de nossa vida uma obra de arte, e eu não sabia como.
Ao assistir a peça com o neto do Silvio Santos, sobre a vida do Tim Maia, compreendi ao término da mesma, que Tim havia feito de sua vida uma obra de arte. Alí, naquele momento concluí haver conhecido alguém capaz de tal façanha. Afinal, era tanta potência, tanta vontade de potência que transbordou para a atuação do neto do Silvio e tb para o Nelson Motta.
Gostei muito quando Rosa Dias, a autora, esclarece que Darwin e Spencer ( também um tio) se preocupavam muito com a corrida do mais forte em relação a preservação da espécie, a uma acomodação, enquanto Nietzche dizia não  à vontade de conservação mas sim " às forças espontâneas, agressivas, expansivas, criadoras de novas formas, interpretações e direções ", tendo estas, primazia sobre as forças de adaptação.
Segundo Nietzche, quem luta pela fome, numa situação de penúria, quer mais vida, acumular forças.Assim, a nutrição está, neste caso, a serviço da vontade de potência que será então a responsável para que possamos, ao nos apossarmos dela, transformar a vida numa obra de arte.
Assim, muito mais importante do que ser o primeiro e sobreviver, é a atividade da vontade  de intensificar a potência que traz a expansão da força humana, força esta que se baseia, não na luta pela vida e sua preservação, mas na potência. Para Nietzche " a própria vida não é um meio para alguma coisa : é apenas uma forma de crescimento de potência. "
Outro  ponto a destacar no livro, é a importância do apolíneo - sonho - e dionisíaco - embriaguez.  A autora vê Apolo como o Deus da serenidade, que preserva o distanciamento entre o deus imortal e o homem mortal. Já vê na embriaguez o estado que destrói, despedaça, abole o infinito e o individual. Ela crê também que, para que a arte se torne uma atividade do ser humano, é preciso que o indivíduo dê força ao sonho e a embriaguez. Esta embriaguez levará o homem de volta a seu estado natural, a se reconciliar com a natureza. Assim, como parte da natureza, de um todo,cantando e dançando ele se manifestará como membro de uma comunidade superior. Neste momento: "ele não é mais artista, torna-se obra de arte."
 A filosofa termina o livro citando Nietzche que pergunta: Queres reviver sempre uma obra de arte? Tens que modelar a tua vida de modo ela tenha o mesmo desejo diante de cada parte. Esse é o pensamento principal".

E aí Pablo, é isso mesmo professor?

Postado por:  tc  na Ágora

4 comentários:

  1. Brilhante seu texto.Paraéns!!!!
    Mariza

    ResponderExcluir
  2. Olá Thereza!

    Fico feliz que você tenha gostado do livro, e me felicita ainda mais o fato de você já tê-lo lido e - como pude ver por seu texto - compreendido tudo muito bem. Apesar da "ética nietzscheana" se diferir bastante da ética de Spinoza, ambos percebem o conhecimento como "o mais potente dos afetos", um "afeto" capaz de transformar o homem e fazê-lo capaz de expressar sua potência, de alça-lo a liberdade e a "felicidade". No estudo de Foucault que pretendo apresentar a vocês nos nossos próximos encontros (o Hermenêutica do Sujeito) espero que fique claro o quanto essa noção nietzscheana de fazer da vida uma obra de arte e a Ética de Spinoza se enlaçam com uma preocupação muito antiga da filosofia, porém esquecida pelos filósofos modernos, que é pensar a Ética como uma estética da existência - uma arte de viver: tékhne tou bíou como chamavam os gregos. Espero que nossos próximos encontros filosóficos agucem ainda mais a sua compreensão do fazer ético como um exercício de transformação da vida numa obra de arte.

    Um abraço e parabéns pelo texto Thereza!


    Pablo Azevedo

    ResponderExcluir
  3. Olá "tc na Ágora"!

    Fico feliz que você tenha gostado do livro, e me felicita ainda mais o fato de você já tê-lo lido e - como pude ver por seu texto - compreendido tudo muito bem. Apesar da "ética nietzscheana" se diferir bastante da ética de Spinoza, ambos percebem o conhecimento como "o mais potente dos afetos", um "afeto" capaz de transformar o homem e fazê-lo capaz de expressar sua potência, de alça-lo a liberdade e a "felicidade". No estudo de Foucault que pretendo apresentar a vocês nos nossos próximos encontros (o Hermenêutica do Sujeito) espero que fique claro o quanto essa noção nietzscheana de fazer da vida uma obra de arte e a Ética de Spinoza se enlaçam com uma preocupação muito antiga da filosofia, porém esquecida pelos filósofos modernos, que é pensar a Ética como uma estética da existência - uma arte de viver: tékhne tou bíou como chamavam os gregos. Espero que nossos próximos encontros filosóficos agucem ainda mais a sua compreensão do fazer ético como um exercício de transformação da vida numa obra de arte.

    Um abraço e parabéns pelo texto "tc na Ágora"!


    postado por Professor

    ResponderExcluir
  4. Cara,

    Caí no seu blog por acaso, mas é certo que tens um novo fã.

    E sinta-se elogiado, visto que tenho por costume menosprezar a maioria pela sua falta de interesse em qualquer tipo de aprofundamento em qualquer conhecimento que realmente me interesse.


    Pretensões a parte,

    Gostei muito do post a respeito de fazer de sua própria vida uma obra de arte, algo que de certa forma já herdei do principio da lenda pessoal comum tanto na religião gnóstica quanto na filosofia de vida samurai. que buscam a perfeição em sua trajetória, mesmo sabendo ser impossível de alcançá-a. Chegando até mesmo a pregar este conceito nestes mesmos termo: faça da sua vida sua obra prima. não sei se já havia escutado esta frase em algum lugar antes, oque é bastante provável. mas neste momento, tanto faz.

    Me identifiquei igualmente com o texto que discorre sobre as classes altas "mal vestidas com as melhores grifes"
    E também com o texto sobre as tragédias da vida. que novamente em certos pontos entram em conformidade com a filosofia samurai que discorre sobre a aceitação da morte como forma de encontrar o verdadeiro "caminho". Assim como consonantes com os valores estóicos e outra filosofias orientais.

    tudo tão conecto com a realidade que chega a arrepiar.

    Passei a conhecer Espinoza através dos materiais do prof. Cláudio Ulpiano disponibilizados na internet e como já relatei anteriormente gostaria de poder continuar a me aprofundar nestes assuntos.



    desde já grato pela atenção.


    Me.

    ResponderExcluir