sábado, 24 de outubro de 2020

 

A República de Platão

       

          Ateniense de família ilustre, Platão (427-347 a.C.) se dedicou à arte de governar, a buscar o melhor regime político possível para o comando de uma cidade. Se preocupou com quem deveria ser o homem certo para deter o poder do Estado ideal e tentou designar uma estrutura de poder que atendesse com justiça a todos os cidadãos.

          Estas questões são tratadas na República de Platão. Dez livros nos quais se entrelaçaram conceitos estéticos, éticos e jurídicos expostos por seu mentor Sócrates. Politeia é o nome grego que vai designar esta República. Kallipolis refere-se ao nome da cidade - em grego, “cidade bela”.

         Kallipolis teria como governador um “rei – filósofo”, escolhido dentre aqueles que teriam uma aptidão especial para o conhecimento. Este acoplaria esta aptidão a uma formação extensa.

         Este governo teria o nome de Sofocracia o que significaria o governo dos sábios.

         Para Platão a democracia, após a morte de Sócrates, se mostrou um governo inoperante e injusto. Isto porque Sócrates, foi julgado por um tribunal democrático no qual tinham o mesmo peso tanto os votos dos sábios quanto o dos ignorantes. Eram deliberações que não apresentavam, em sua concepção,um critério de valor apurado e justo.

         Assim, por Sócrates ter sido condenado na vigência deste regime, Platão passou a descartar esta forma de governo por considerá-la inadequada às condições de justiça fundamentais à sua forma de pensar.

          Este comportamento, iria erigir uma cidade desequilibrada e injusta a seus padrões de verdade e justiça.

          Platão acredita que a justiça é a maior de todas as virtudes e passa seus dois primeiros livros dedicando-se a discussões sobre o tema.

          Nesta narrativa Sócrates debate com Céfalo, seu filho Polemarco, Trasímaco, Glauco e Adimanto.

          Todos apresentam teorias que são refutadas por Sócrates. Acabam, porém, concordando que a justiça é preferível à injustiça e, finalmente no livro IV partem para a elaboração de uma cidade perfeita, dominada segundo seus critérios por equilíbrio, paz e harmonia.

           Orientados pela ideia de justiça, Sócrates, Glauco e Adimanto projetam, segundo o relato de Platão, a cidade ideal.

           Utopia Social por excelência, esta seria dividida em três classes (partes) que agiriam de forma harmônica e integrada.

            A primeira classe corresponderia aos cidadãos mais simples que cuidariam da agricultura, pecuária, artesanato, comércio. Estes seriam selecionados dentre os que possuíssem aptidão para tais trabalhos. A formação destes teria vinte anos de duração.

             A segunda classe, de acordo com os organizadores da cidade, narra Platão, seria formada por homens hábeis e fortes, os guerreiros, que formariam o exército. Estes, defenderiam a cidade dos invasores e ainda seriam responsáveis pela administração da mesma. A duração da formação destes teria trinta anos de prazo.

             Já a terceira classe exigiria maiores aptidões. Estudariam durante cinquenta anos se preparando para serem magistrados e governar a cidade. Seriam os sábios que acumulariam a sabedoria e a arte, consideradas necessárias ao bom funcionamento político da cidade. Era necessário ainda, que fossem dominados pela razão, o que os faria conter suas emoções e impulsos tornando-os homens mais justos e equilibrados.

             Na concepção dos organizadores desta cidade descrita por Platão as almas selecionadas pelos moradores da cidade teriam que conter bronze nos habitantes da terceira classe, prata nos da segunda classe e ouro nos da terceira classe.

             A educação e divisão das classes seria controlada pelo Estado que os selecionaria de acordo com a aptidão de suas almas.

             O fracasso deste projeto se deveu ao fato do homem ter que renunciar à sua subjetividade, espaço íntimo do indivíduo, os seja, como ele “instala” à sua opinião o que é dito. A conexão que faria do mundo externo com o seu mundo interno, resultando tanto em marcas singulares na formação do indivíduo quanto na construção de crenças e valores compartilhados na dimensão cultural que vão constituir a experiência histórica coletiva.

             O egocentrismo seria inaceitável sendo o altruísmo necessário para a existência da justiça. Isto porque todas as classes teriam que cumprir suas funções corretamente para que fosse estabelecida a igualdade entre todos os habitantes da cidade.

             Conclusão: esta seria uma cidade utópica.

Por Thereza C.  R. Wachholz

Bibliografia: Anotações de aula do professor Baptiste Noel Auguste Grasset -2020

                      A República de Platão – Editora Sapienza,, 2005

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