Ontem li no Globo pag 38 o artigo do Andre Lara Rezende em que ele diz não acreditar que seja possível, nos tempos atuais, expandir a economia, para superar a crise mundial, em função do esgotamento físico do planeta, que está superpopuloso.
" - Sabe-se hoje, que a partir do momento em que as necessidades básicas estão superadas, o aumento da renda e da disponibilidade de bens materiais tem muito pouca correlação com o bem estar. Muito mais do que o aumento do consumo material, o bem estar passa então a estar associado a coesão social, à qualidade da vida comunitária e a menor desigualdade. Pode-se com certeza ter aumento de bem estar sem crescimento do consumo material. Para isso, é preciso romper com o equívoco mais agressivamente promovido na modernidade: o de que para ser feliz é preciso consumir, ainda que coisas cada vez mais desnecessárias".
Não pude deixar de fazer a relação com o estudo que faço em conjunto com minhas amigas Espinosanas e nosso mestre prof Pablo Gawan...
A meu ver a necessidade de consumo desenfreado de bens supérfluos, que aponta o André Lara, baseia-se na inadequação das idéias que fazem com que os indivíduos consumam bens materiais num ilusório mecanismo de compensação para que se sintam aceitos, valorizados e pertencentes a grupos que gozam de prestígio e distinção.
Acredito que a raíz dessa questão não está somente fundamentada no orgulho e na vaidade fútil. Esses componentes superficiais, me dão uma idéia de um tempero de necessidades bem mais profundas com as quais, por ausência de idéias adequadas, não temos consciência, que é o sentimento de bem estar de que fala o economista.
Como seres relacionais, se nos tornamos uma ínfima minoria, em que bases vamos nos relacionar com os que não tem as mesmas possibilidades? Como vamos dirimir os inúmeros conflitos que ainda irão surgir dessas relações?
A questão do esgotamento do planeta, da superpopulação, muda a perspectiva do homem atual. Talvez cooperar seja o melhor investimento.....
Acredito que pela via da Ética, com o auxílio dos meios de comunicação e das redes sociais o homem pode reavaliar a grande questão dos valores equivocados que permearam o nosso inconsciente em priscas eras e que ainda teimam, por falta de esclarecimento, em permear.
Postado por Monica
O consumo pelas necessidades básicas começou a deixar de existir, depois da segunda guerra com o modo de produção americano que visava, a princípio, desenvolver um mercado interno forte.
ResponderExcluirComo vemos, sob a ótica Spinosista,das relações, este consumo tinha relação com as aspirações,da época,dos americanos,por novos empregos que viriam gerar,consequentemente,novos produtos.
Demanda atentida, as fábricas agora não podiam parar e é aí que entraram as campanhas para que houvesse sempre um aumento crescente de compras para que a produção e os empregos pudessem ser mantidos.
As idéias adequadas, moderadas, de consumo, vão sendo, pouco a pouco, adulteradas pelo emocional dos consumidores que, saindo do racional, passam a comprar sonhos, idéias.
Como vc diz, agora o comprador não compra o produto mas tenta com o mesmo, completar um vazio estabelecido no seu emocional.
De acordo com a aula de hoje, só vejo uma solução: desconstruir o método, o mecanismo responsável por esta tranformação.
Assim fazendo, através de conscientizações individuais, que poderão ou não proliferar,as idéias adequadas de compras poderiam se equilibrar.
Acho isto, entretanto, muito difícil. Penso que só mesmo uma grande crise, seria capaz de reverter este quadro de valores equivocados. Na verdade, uma crise comparável a uma guerra. Esta novamente traria o empobrecimento do luxo, a quebra das vaidades e valores individuais, que aí, se tornariam adequados a uma nova maneira de viver e ser feliz.