sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O Crème de la crème

                                                                                                 Por Cristina Benford Pernambuco

 

  A escolha do nosso novo professor de filosofia, prof. Noel, foi excelente! A capacidade de síntese e clareza dele é impressionante! 

  Explicar a Estética de 400 anos da Arte da Pintura, da Literatura e da Música em um curto espaço de tempo, e todos entenderem e adorarem é maravilhoso!

   A  partir do que foi dado, pude pesquisar e entender melhor uma série de conceitos filosóficos conhecidos por nós Artistas Plásticos, como por exemplo, a análise do Belo nas Artes dos sécs XVII, XVIII, XIX e as transgressões e questionamentos dos movimentos artísticos que ocorreram a partir do séc. XX, com o advento da Fotografia, que substituiu a pintura realista dos sécs anteriores, a Beleza passou para um plano menos importante,  a passagem do período clássico ao período romântico, do sujeito coletivo ao indivíduo singular.

 O que nos afeta, não precisava mais ser representado com fidelidade ao objeto, e sim de uma forma mais fiel à nossa sensibilidade, como no Movimento Impressionista, do final do Séc XIX e início dos XX, de Monet, Renoir, Van Gogh, e outros. 

  Revimos os conceitos filosóficos dos diversos movimentos que surgiram na Estética modernista, tais como o Movimento Construtivista Russo de 1913 de Malevich, o Manifesto Surrealista de 1924,  o Dadaísmo de Marcel Duchamp, que se seguiu , e o Abstracionismo dos anos 1950!

  Vimos o Construtivismo russo que foi um movimento estético-político iniciado na Rússia a partir de 1913, como parte do contexto dos movimentos de vanguarda no país, de forte influência na arquitetura e na arte ocidental. Ele negava uma "arte pura" e procurava abolir a ideia de que a arte é um elemento especial da criação humana, separada do mundo cotidiano. A arte, inspirada pelas novas conquistas do revolucionário Estado Operário, deveria se inspirar nas novas perspectivas abertas pelas técnicas e materiais modernos servindo a objetivos sociais e a construção de um mundo socialista. O termo arte construtivista foi introduzido pela primeira vez por Malevich para descrever o trabalho de Rodchenko em 1917.

 Foi visto o Movimento "Manifesto Surrealista "  de  André Breton em 1924, que trouxe para o mundo um novo modo de encarar a arte.

 Impunha o chamado automatismo psíquico, "estado puro, mediante o qual se propunha transmitir verbalmente, por escrito, ou por qualquer outro meio o funcionamento do pensamento; ditado do pensamento, suspenso qualquer controle exercido pela razão, alheio a qualquer preocupação estética ou moral".

 Alguns de suas citações:

 “A atitude realista é fruto da mediocridade, do ódio, e da presunção rasteira. É dela que nascem os livros que insultam a inteligência.”

 “A mania incurável de reduzir o desconhecido ao conhecido, ao classificável, só serve para entorpecer cérebros.”

 “Hoje em dia, os métodos da lógica só servem para resolver problemas secundários”.

“A extrema diferença de importância que, aos olhos do observador ordinário, tem os acontecimentos de vigília e os do sono sempre me encheu de espanto. (...) Talvez o meu sonho da noite passada tenha dado prosseguimento ao da noite anterior e continue na próxima noite com rigor meritório.”

“Digamo-lo claramente de uma vez por todas: o maravilhoso é sempre belo; qualquer tipo de maravilhoso é belo, só o maravilhoso é belo. (...) Desde cedo as crianças são apartadas do maravilhoso, de modo que, quando crescem, já não possuem uma virgindade de espírito que lhes permita sentir extremo prazer na leitura de um conto infantil.”

“Oxalá chegue o dia em que a poesia decrete o fim do dinheiro e rompa sozinha o pão do céu na terra.”

"Em homenagem a Guillaume ApollinaireSoulpault e eu, André Breton, demos o nome de "surrealismo" ao novo modo de expressão que tínhamos à nossa disposição e que estávamos ansiosos por colocar ao alcance de nossos amigos”.

“O surrealismo não permite aos que a ele se consagram, abandoná-lo quando lhes apetece fazê lo. Ele atua sobre a mente como os entorpecentes e muitos outros de épocas relacionadas.

“A mente que mergulha no surrealismo revive, com exaltação, a melhor parte de sua infância.”

"Imaginação querida, o que sobretudo amo em ti é não perdoares."

"Só o que me exalta ainda é a única palavra: liberdade. Eu a considero apropriada para manter, indefinidamente, o velho fanatismo humano." 

 

 Depois vimos o movimento Dadaísta, de Marcel Duchamp,  movimento que propunha a oposição por qualquer tipo de equilíbrio e o Movimento Abstracionista dos anos 50, de Pollock, Rothko,  de emoções transformadas em cores e formas. 

  A partir desta época, as Artes Visuais, e também as Artes Literárias,  as Artes da Música, podem ser expressas mais livremente, tais como sentimos e abrindo com isto uma possibilidade infinita de expressões artísticas,  ligadas ao Individualismo, do sujeito como indivíduo singular, com personalidade própria, numa transição do subjetivismo clássico, do sujeito como parte de um todo, ao sujeito único, singular.  

 

Bibliografia :

                      Aulas do Professor Noel 

                          Wikipédia - Internet.  

 

 

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

BELEZA E INTERIORIDADE


Por Thereza C. Rothier Wachholz

(parte 1) 

     Na   Grécia antiga, a beleza estava atrelada à simetria. 

     “Platão tem duas concepções da beleza que foram elaboradas através dos séculos: a beleza como harmonia e proporção das partes (deriva de Pitágoras) e a beleza como esplendor exposta no Fedro, que influenciará o pensamento neoplatônico. Para Platão a visão sensível deveria ser superada pela visão intelectual”. (História da Beleza -Umberto Eco- Record, 2004).

     Para este filósofo, a beleza não dependia de nenhum suporte físico, não seria correspondente ao que se vê. A feiura de Sócrates, por exemplo, carecia de importância, pois o que era relevante era a sua beleza interior. O intelectual suplantava o sensível.

     Para Platão a arte, sendo uma cópia, deveria ser banida das escolas e substituída pela beleza das formas geométricas consideradas universais.

     Isto vai sofrer uma transformação a partir de Descartes quando surge a importância do pensamento subjetivo: “Penso, logo existo”.

     A partir daí, sentimentos como melancolia, tristeza, pessimismo, esperança, passam a definir nossas ideias de beleza. Passa a haver uma avaliação estética interior quando o “eu” passa a dominar as sensações estéticas.

     Sair do pensamento estético dominante pode não ter sentido, mas já é de uma grande utilidade para nós. Fugir da nossa parte escura, do nosso interior, é um erro, pois este é muito importante. Quando amamos alguém, o fazemos pela beleza da simetria interior, pela verdade, pelo que ela é e não pelo que tem.

     Ao criarmos uma confiança pessoal criamos, ao mesmo tempo, um comportamento proativo que vai além da simples beleza física. 

     Quem tem confiança, tem em si uma série de vantagens. Poder receber e aceitar elogios, por exemplo. Nos desvalorizamos muitas vezes, por não acreditarmos na veracidade dos cumprimentos que recebemos.

     Pode parecer estranho, mas a verdade tem uma organização própria. É feliz quem organiza seu pensamento e tem a coragem de expô-lo. O que é verdade, o é para mim. Por isso amamos esta organização de pensamento e buscamos além de nós a verdade que nos falta e existe para o outro ou no outro. É neste momento que surge o que podemos denominar: empatia.

     Esta verdade não é reconhecida por nós de forma explícita, mas é algo que está em nossa lembrança e que nos liga àquela pessoa. Esta é a beleza organizada que se define para nós como intimidade. Seria o encontro de duas almas, de duas individualidades.  Assim, para buscar o belo, a verdade no outro, temos que buscar o simbólico que habita em sua parte interior, oculta.

     Poderíamos descrever o encontro da verdade como a reunião de duas memórias. Quando estas se encontram você se emociona porque há um encontro de intimidades.

    Para nos aproximarmos de alguém é importante buscar algo pessoal que nos emocione. O medo de nos “abrir” nos retesa, mas só entregando algo verdadeiro conseguiremos estabelecer uma relação.

     Sem sairmos da superfície, sem peculiaridade, sem esforço, não há intimidade. Sem esforço não há o amor, não há a escrita: a verdade é o esforço.

     Para alcançarmos o sublime temos que fazê-lo através do esforço, que transcende a superficialidade. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Modernidade: A passagem do Sujeito à Individualidade


Martha De Aratanha

 

Desde a Antiguidade, a Arte estava subordinada a parâmetros racionais e geométricos. Por dois mil anos, o Pensamento submeteu o Belo à Razão. A noção de gosto estético surge no séc. XVI na Itália, Espanha, França e Inglaterra. O Empirismo britânico vai inaugurar a Estética Subjetiva: o Belo não vai mais ser consenso.

A partir da primeira Modernidade veremos surgir a Subjetividade. 

Descartes, cientista racionalista moderno, faz uma crítica à Metafísica clássica em três etapas;

1)    Conceito de dúvida hiperbólica (exagerada) de todas as tradições,

2)    O Sujeito é o ponto de apoio (Cogito),

3)    O Sujeito faz, pelo pensamento, o exame crítico.

As Guerras de Religião na Europa, o declínio da Monarquia Absoluta, a ascendência da Burguesia comercial vão engredrar mudanças na Política, da seguinte maneira:

1)    O homem na Natureza, e como ele se comporta sem Instituições,

2)   A noção de povo como sujeito de direito; convívio político pacífico; surge a noção de Sociedade dos Indivíduos: Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789, preconiza direitos naturais e igualdade entre os cidadãos)

3)   Reconstruir as verdades objetivas, a partir do critério do sujeito pensante. O Sujeito surge com o Estado.

Na Estética, as transformações são:

1)    O Belo não é racional,

2)    Identificação de um critério para  distinguir entre o Belo e o Feio, que não seja racional (o Gosto estético). O gosto vai delimitar os limites entre o Belo e o Feio; a harmonia é substituída pela interiorização da sensibilidade;

3)    Porém, como os sujeitos se comunicam em relação à obra de Arte? Como achar o senso comum, se não há objetividade? Kant propõe: “O gosto não se disputa, mas o gosto se discute!”. A discussão artística está em aberto. Não há consenso, pois é subjetiva, mas há discussão.

Portanto, vemos que mudanças na sociedade política engendram necessariamente mudanças metafísicas e estéticas. 

Vemos isso no caminho estético percorrido pelas artes pictóricas:

- os quadros do século XV são expressão da Arte Sacra: Madonas e trípticos.

- nos quadros do século XVI há a redescoberta da Perspectiva Euclidiana (retorno ao Clássico Grego)

- no século XVII começam a surgir cenas do quotidiano, o Sujeito surge nas composições.

- no século XVIII, cenas mitológicas, de eras passadas da Antiguidade Clássica. 

- no século XIX, surgem quadros que retratam os acontecimentos políticos. Passagem do Sujeito ao Indivíduo: Impressionismo.

-  no século XX: Dadaísmo, Cubismo, Surrealismo são expressões do Indivíduo. O Indivíduo diante da impossibilidade de se comunicar, pois toda comunicação entre pessoas é parcial, passa a expressar seu imo.


O Sujeito representa; o Indivíduo se expressa

 O Sujeito ainda acredita na comunicação das emoções. No século XXI, o Indivíduo não precisa comunicar. Essa concepção de subjetividade surge junto com as teorias políticas. Essa passagem do Sujeito ao Indivíduo é um reflexo das mudanças tecnológicas e políticas. A tecnologia gera novas relações entre as pessoas e força mudanças nas relações políticas, que por sua vez, engendra uma nova sociedade.

Com o desenvolvimento da consciência de si nos povos, e com as novas tecnologias (Facebook, Whatsapp, etc...) o indivíduo passa a se expressar de modo mais amplo, constatamos que o ser humano se civiliza ao discutir: esse é o veículo das racionalizações das relações humanas. 

 A Contemporaneidade é justamente a radicalização da Modernidade. A Arte passa a expressar o Indivíduo.  Com a tecnologia, as relações se horizontalizam, e isso reflete na Política.

A independência do Indivíduo do Estado já está acontecendo. 


 Que Novo Mundo é esse que surge?

 



[1] Alguns povos (Rússia) e civilizações antigas (China) ainda estão presos a modelos ditatoriais e tirânicos.