Por Thereza C. Rothier Wachholz
(parte 1)
Na Grécia antiga, a beleza estava atrelada à simetria.
“Platão tem duas concepções da beleza que foram elaboradas através dos séculos: a beleza como harmonia e proporção das partes (deriva de Pitágoras) e a beleza como esplendor exposta no Fedro, que influenciará o pensamento neoplatônico. Para Platão a visão sensível deveria ser superada pela visão intelectual”. (História da Beleza -Umberto Eco- Record, 2004).
Para este filósofo, a beleza não dependia de nenhum suporte físico, não seria correspondente ao que se vê. A feiura de Sócrates, por exemplo, carecia de importância, pois o que era relevante era a sua beleza interior. O intelectual suplantava o sensível.
Para Platão a arte, sendo uma cópia, deveria ser banida das escolas e substituída pela beleza das formas geométricas consideradas universais.
Isto vai sofrer uma transformação a partir de Descartes quando surge a importância do pensamento subjetivo: “Penso, logo existo”.
A partir daí, sentimentos como melancolia, tristeza, pessimismo, esperança, passam a definir nossas ideias de beleza. Passa a haver uma avaliação estética interior quando o “eu” passa a dominar as sensações estéticas.
Sair do pensamento estético dominante pode não ter sentido, mas já é de uma grande utilidade para nós. Fugir da nossa parte escura, do nosso interior, é um erro, pois este é muito importante. Quando amamos alguém, o fazemos pela beleza da simetria interior, pela verdade, pelo que ela é e não pelo que tem.
Ao criarmos uma confiança pessoal criamos, ao mesmo tempo, um comportamento proativo que vai além da simples beleza física.
Quem tem confiança, tem em si uma série de vantagens. Poder receber e aceitar elogios, por exemplo. Nos desvalorizamos muitas vezes, por não acreditarmos na veracidade dos cumprimentos que recebemos.
Pode parecer estranho, mas a verdade tem uma organização própria. É feliz quem organiza seu pensamento e tem a coragem de expô-lo. O que é verdade, o é para mim. Por isso amamos esta organização de pensamento e buscamos além de nós a verdade que nos falta e existe para o outro ou no outro. É neste momento que surge o que podemos denominar: empatia.
Esta verdade não é reconhecida por nós de forma explícita, mas é algo que está em nossa lembrança e que nos liga àquela pessoa. Esta é a beleza organizada que se define para nós como intimidade. Seria o encontro de duas almas, de duas individualidades. Assim, para buscar o belo, a verdade no outro, temos que buscar o simbólico que habita em sua parte interior, oculta.
Poderíamos descrever o encontro da verdade como a reunião de duas memórias. Quando estas se encontram você se emociona porque há um encontro de intimidades.
Para nos aproximarmos de alguém é importante buscar algo pessoal que nos emocione. O medo de nos “abrir” nos retesa, mas só entregando algo verdadeiro conseguiremos estabelecer uma relação.
Sem sairmos da superfície, sem peculiaridade, sem esforço, não há intimidade. Sem esforço não há o amor, não há a escrita: a verdade é o esforço.
Para alcançarmos o sublime temos que fazê-lo através do esforço, que transcende a superficialidade.
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