Martha De Aratanha
Desde a Antiguidade, a Arte estava subordinada a parâmetros racionais e geométricos. Por dois mil anos, o Pensamento submeteu o Belo à Razão. A noção de gosto estético surge no séc. XVI na Itália, Espanha, França e Inglaterra. O Empirismo britânico vai inaugurar a Estética Subjetiva: o Belo não vai mais ser consenso.
A partir da primeira Modernidade veremos surgir a Subjetividade.
Descartes, cientista racionalista moderno, faz uma crítica à Metafísica clássica em três etapas;
1) Conceito de dúvida hiperbólica (exagerada) de todas as tradições,
2) O Sujeito é o ponto de apoio (Cogito),
3) O Sujeito faz, pelo pensamento, o exame crítico.
As Guerras de Religião na Europa, o declínio da Monarquia Absoluta, a ascendência da Burguesia comercial vão engredrar mudanças na Política, da seguinte maneira:
1) O homem na Natureza, e como ele se comporta sem Instituições,
2) A noção de povo como sujeito de direito; convívio político pacífico; surge a noção de Sociedade dos Indivíduos: Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789, preconiza direitos naturais e igualdade entre os cidadãos)
3) Reconstruir as verdades objetivas, a partir do critério do sujeito pensante. O Sujeito surge com o Estado.
Na Estética, as transformações são:
1) O Belo não é racional,
2) Identificação de um critério para distinguir entre o Belo e o Feio, que não seja racional (o Gosto estético). O gosto vai delimitar os limites entre o Belo e o Feio; a harmonia é substituída pela interiorização da sensibilidade;
3) Porém, como os sujeitos se comunicam em relação à obra de Arte? Como achar o senso comum, se não há objetividade? Kant propõe: “O gosto não se disputa, mas o gosto se discute!”. A discussão artística está em aberto. Não há consenso, pois é subjetiva, mas há discussão.
Portanto, vemos que mudanças na sociedade política engendram necessariamente mudanças metafísicas e estéticas.
Vemos isso no caminho estético percorrido pelas artes pictóricas:
- os quadros do século XV são expressão da Arte Sacra: Madonas e trípticos.
- nos quadros do século XVI há a redescoberta da Perspectiva Euclidiana (retorno ao Clássico Grego)
- no século XVII começam a surgir cenas do quotidiano, o Sujeito surge nas composições.
- no século XVIII, cenas mitológicas, de eras passadas da Antiguidade Clássica.
- no século XIX, surgem quadros que retratam os acontecimentos políticos. Passagem do Sujeito ao Indivíduo: Impressionismo.
- no século XX: Dadaísmo, Cubismo, Surrealismo são expressões do Indivíduo. O Indivíduo diante da impossibilidade de se comunicar, pois toda comunicação entre pessoas é parcial, passa a expressar seu imo.
O Sujeito representa; o Indivíduo se expressa:
O Sujeito ainda acredita na comunicação das emoções. No século XXI, o Indivíduo não precisa comunicar. Essa concepção de subjetividade surge junto com as teorias políticas. Essa passagem do Sujeito ao Indivíduo é um reflexo das mudanças tecnológicas e políticas. A tecnologia gera novas relações entre as pessoas e força mudanças nas relações políticas, que por sua vez, engendra uma nova sociedade.
Com o desenvolvimento da consciência de si nos povos, e com as novas tecnologias (Facebook, Whatsapp, etc...) o indivíduo passa a se expressar de modo mais amplo, constatamos que o ser humano se civiliza ao discutir: esse é o veículo das racionalizações das relações humanas.
A Contemporaneidade é justamente a radicalização da Modernidade. A Arte passa a expressar o Indivíduo. Com a tecnologia, as relações se horizontalizam, e isso reflete na Política.
A independência do Indivíduo do Estado já está acontecendo.
Que Novo Mundo é esse que surge?
[1] Alguns povos (Rússia) e civilizações antigas (China) ainda estão presos a modelos ditatoriais e tirânicos.
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